quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Tonho, o tristonho

Tonho andava
sempre tristonho
a chaleira fervia
e Tonho não via.

Cadê essa cabeça?
Olha só a água!
A vida tá avessa
virada só em mágoa!

Um dia Tonho cansou.
Saiu trôpego pra rua
Na esquina se enamorou
de negra de tez nua.

Inundou-o a paixão
e Tonho, o tristonho
não tinha teto nem chão.
Vivia como num sonho.

Mas, alegria de Tonho
Dura só um carnaval
Tão acostumado estava ser Tonho
pra quem felicidade era coisa de jornal.

Não sabia ser feliz
só bebia seu triste vinho
A cerveja amolecia o nariz
só via pedras no caminho.

Então, a nega requebrou
encheu o olhos do tristonho
Seu marasmo arrancou
Botou amor nos dedos de Tonho.

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