domingo, 9 de novembro de 2014

Que seja cansado da folia e não da ferrugem

Certos dias você apenas fica cansado. É até compreensível. É final de ano... Costumo ter uma ideia (dessas ideias incertas que você formula sobre si mesmo) de que não sou capaz de amarrar os cadarços em novembro como era em março.

Mas, enfim... Cansado de que, né? Cansado de um bocado de coisas. Cansado de sorrisos de canto de boca, cansado de pessoas que fazem a vida ser um faz de conta, cansado de manhãs curtas e tardes longas, cansado de livros teóricos (que saudade dos romances – parece que os devoro quando posso fugir do supereu), cansado de ser sempre tolerante e compreensivo – fico sempre me perguntando se já é o momento de mandar tudo aos quintos do inferno por alguns instantes -, cansado de hipocrisia e de gente careta e covarde, como dizia Cazuza, cansado dos velhos planos, dos antigos desenganos, cansado de repetir na mente, insoluvelmente, uma mesma imbecilidade como se a vida nos prendesse em um eterno retorno que entediaria até mesmo Nietzsche, que nunca quis tanto viver de novo pra ver se então fazia algo direito e ficava menos doente. Cansado, cansado, cansado. Um câncer, cansado, um cálice calado  e borrado de vinho barato. Ah, vida! Não preciso de férias, preciso de festa, de fogos, de fugas e folias. Qualquer excesso permitido é bem vindo, por hora. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário