domingo, 30 de novembro de 2014

Domingo de tarde

Fins de semana em casa... Há tempos não me dava a esse lixo! Ser sozinho é uma consequência lógica do meu próprio ostracismo. Eu esqueci as velhas preces, os velhos costumes, os medos antigos. É tudo uma beleza. Lembro de quando comecei a dormir sem coberta, sozinho e sem luzes acesas. Foi assim que me senti logo que abandonei a igreja, o sonho de amor perfeito, a casa dos pais. É libertador! Mas, que bosta! Ser livre e ser sozinho são condições muito amigas. Essas duas putas caminham lado a lado, trocam telefones de caras que já pegaram e bebem juntas após cada novo suicídio.
Ser sozinho... Eu nasci no meio do mato. Só havia cães, galinhas, porcos e vacas. Eu era uma beleza de criança feliz. Mas, sem comer o fruto proibido, me tiraram o paraíso. Eu tinha seis anos quando saí do meio do nada pra viver na cidade. Até hoje eu ainda gosto mais da companhia dos cães do que de algumas crianças de seis anos. "Crianças são puras!" - diz o papa-hóstia acéfalo. Puras? Pelo amor do seu deus, amigo! Crianças tem autorização pra liberarem nossos instintos mais banais e mais horríveis. Demoram até pararem de morder umas as outras. Puras... Pff!
Mas, enfim, passar um fim de semana em casa sozinho me faz pensar... A cabeça começou a doer porque acordei tarde demais pra tomar um café forte e robusto. Malditos cereais! Os livros cansam depois das primeiras horas e eu não tenho TV, pra evitar que qualquer idiotia me puxe pra trás novamente e logo eu esteja ouvindo essa música maldita que toca no rádio e comprando cuecas da Calvin Klein. A tarde se torna mais tediosa, porém; minhas escolhas, minhas responsabilidades, como diria tio Ben. Escolhi ser solitário e é o preço a se pagar pra poder viver da forma como eu quero, ser feliz da forma como creio que é humanamente possível - como dizia Freud, passamos mais tempo da vida tentando não ser infeliz do que sendo felizes. Acho que o melhor mesmo seria uns bons dias no mato novamente. Horas de leitura de Lacan podem foder a sua mente! Mas, nada que um bom Bukowski não possa consertar. E, olha só! O velho bêbado despertou a ponta dos meus dedos novamente...

domingo, 9 de novembro de 2014

Que seja cansado da folia e não da ferrugem

Certos dias você apenas fica cansado. É até compreensível. É final de ano... Costumo ter uma ideia (dessas ideias incertas que você formula sobre si mesmo) de que não sou capaz de amarrar os cadarços em novembro como era em março.

Mas, enfim... Cansado de que, né? Cansado de um bocado de coisas. Cansado de sorrisos de canto de boca, cansado de pessoas que fazem a vida ser um faz de conta, cansado de manhãs curtas e tardes longas, cansado de livros teóricos (que saudade dos romances – parece que os devoro quando posso fugir do supereu), cansado de ser sempre tolerante e compreensivo – fico sempre me perguntando se já é o momento de mandar tudo aos quintos do inferno por alguns instantes -, cansado de hipocrisia e de gente careta e covarde, como dizia Cazuza, cansado dos velhos planos, dos antigos desenganos, cansado de repetir na mente, insoluvelmente, uma mesma imbecilidade como se a vida nos prendesse em um eterno retorno que entediaria até mesmo Nietzsche, que nunca quis tanto viver de novo pra ver se então fazia algo direito e ficava menos doente. Cansado, cansado, cansado. Um câncer, cansado, um cálice calado  e borrado de vinho barato. Ah, vida! Não preciso de férias, preciso de festa, de fogos, de fugas e folias. Qualquer excesso permitido é bem vindo, por hora.