sexta-feira, 18 de julho de 2014

Canto para minha morte... (sussurro, talvez...)

Era uma guria de dezoito anos. Estava em qualquer lugar, não importa. Dizia da morte. Dizia que morrer não é surpreendente, que não é tão assustador e há que se ter em mente que se estará morto um dia e que todos irão morrer. A despeito da obsessão do pensamento dessa jovem eu me pegava compenetrado. Lia no jornal alguma coisa sobre acidentes de trânsito, mortes repentinas, tragédias, desastres e esses caprichos do acaso que nos levam aos discursos bonitos, aos epitáfios, às lápides. Na noite anterior eu estava indo pra casa e "coincidentemente" (o acaso realmente não existe) me pegava pensando na morte. Sei lá por quais cargas d'água meu pensamento me levou a esta associação... Mas, eu pensava: "não penso mais em morrer e não temo estar morto ou sofrer qualquer coisa! A morte não me pegará de surpresa. Não serei sua vítima, não se pode ser vítima se sabia-se dos riscos. A morte não encontrará em mim uma vítima. Quiçá, um cúmplice! Mas, que inferno! Já estou morto então? Pois, pra ser cúmplice da morte é preciso que saiba-se dos caminhos que ela traça!" Assombro-me.
E, esta noite, novamente... Essa guria, esse papo... Era uma adolescente revoltada, exatamente como eu, alguns anos atrás. É preciso que aceite-se a morte, então? Pra que se morra vivo ou pra que se viva morto? Engraçado... o papo logo seguiu pra zumbis, piadas, etc...
"Não tornará a ouvir o som dos meus passos!"
https://www.youtube.com/watch?v=u8RSb2B8mlE